Faço contas de cabeça desde que se foi e refaço e volto a fazer por achar pouco tempo ou se calhar é tudo relativo porque por dentro de mim e no espaço da casa está tudo tão sozinho e desamparado como se tivesse acontecido há muito muito tempo e a ausência dela tivesse levado móveis e órgãos do meu corpo tudo junto sem distinção. Entro no quarto como o novo ano, é tudo uma questão de pé à frente do outro e nada mais porque se recuar o dia anterior não foi diferente do ano que agora é novo ou o pé direito atrás do esquerdo, na verdade se entrar ou se sair ela continua a não estar e eu estou sozinho. Faço contas de cabeça às mulheres que me deixaram e essas saídas embora sentidas verdadeiramente nunca foram abandonos porque nunca lhes disse o que não sentia nem a pedido, esta partiu e levou qualquer coisa que até hoje não sei o que é mas sei que a amo e lho disse no silêncio por várias vezes. Nunca me deixou dizer o som das palavras alto, alto forte de modo a que os tectos e os florões se rachassem mais e mais pela temeridade dos sentidos que impulsionava a minha voz nessa verdade tão nítida e pura que quase me agoniava manter dentro da boca se não falasse. Era como se a noite se atrasasse à espera de nós e só depois havia permissão para se chegar ao mundo.
Pior que o dia é o dia seguinte porque este tem o gosto das sobras e a claridade dos objectos recebidos. Fartei-me de receber presentes mas se estavam à espera que eu fosse oferecer alguma coisa bem podem morrer antes que isso aconteça, odeio todo este sentimentozinho de boa vontade e paz entre inimigos que teatralizam quando se amoitam na esquina para espetar a faca mal é dia novo e a troca dos presentes é mais um número de pobre diplomacia com o olho no porco. Tomara que deste mês venha muita chuva para lavar ruas e gentes estou muito farto de lixo e de mim também que podía ir na enxurrada sem se perder coisa nenhuma. Digo à Russa para levar o que quiser do que veio de ofertas mas ela enfia-se na cozinha a falar sozinha naquele idioma peganhento que ninguém entende e assim sendo está feito mais um Natal. Onde será que ela anda nestes dias totalmente encharcada um pé descalço ou os dois para a cova. Dói-me esta idéia que não me larga faz tempo e tenho medo tanto medo.
Trabalho muito trabalho daquele que não é de pensar porque é para agora porque amanhã já é outra época e já ninguém quer saber é isto que o Natal é e é isto que as pessoas são coisa de dois dias e está feito é este o meu trabalho campanhas de um par de dias que se esgotam porque parece que o mundo morre se não tiver acesso a estas porcarias. Faço o que tenho a fazer sem cabeça e sem vontade é pelo dinheiro que faço a minha campanha e é tão mercenária quanto a quadra que me pede para despachar serviço no tempo de fim de semana e ficarmos todos felizes eles com o produto eu com os tintos que hão-de marchar à conta destes serviços. Odeio esta época e o que me faz lembrar do meu pai e de mim e do perú da vizinha e dela que não está comigo. Talvez esteja em África no mesmo sitio do meu filho e nem sei porque me fui lembrar disto e tento afastar este maldito pensamento da cabeça e só a cor vermelha me salta ao plano. A noite tem estado todo o dia.
À medida que os dias avançam a saudade agiganta-se mas o mais curioso e triste é que também os traços das suas feições e o recorte do corpo na contraluz da janela esbatem-se como um pincel que se agita na água para diluir os restos de tinta. Faço força por me lembrar e numa contrariedade tudo parece ir-se aos poucos até mesmo o cheiro do pescoço ou do sexo quando atingia o orgasmo soluçado e silencioso somem-se das recordações visíveis e palpáveis que ainda ontem sentia e me gratificava por manter. Exijo todos os dias o retorno do meu quadro mas a Russa já me sequer me responde e eu temo que o tenha queimado para lhe acabar com a espécie. Nada restou dela e em breve até eu nem serei mais a prova de que ela existiu e fomos um só por várias vezes por vários silêncios e em vários azuis a imitarem noites quando ainda havia dia claro. Não conseguirei manter na minha memória mais que uma história que por não recordar perfeitamente hei-de inventar aos poucos como remendos que se cosem para unir o que de facto aconteceu e o que desejaria tivesse acontecido. Abro a janela e encavalito-me no parapeito como ela fazia mas ela não aparece.
Perco a vergonha e pergunto ao taberneiro se a viu não consigo aguentar mais esta incógnita dentro de mim mas o homem está de mal comigo e faz-se de desentendido que as coisas têm andado um bocado tortas da minha parte diz ele comporto-me como um garoto e já tenho idade para ter juízo, juízo que és homem e insiste na moral da questão enquanto esfrega o sebo do balcão e arranca restos com a unha mas dela não sabe nada e se soubesse também não me dizia que só quer o meu bem e ela só me leva à ruína onde já se viu um doutor como eu a andar com uma mulher da vida e drogada capaz de me roubar ou matar ou até pior cruzes que eu devia estar muito embeiçado para ter metido uma gaja daquelas lá em casa que rata todas elas têm e se o meu mal é esse anda por aí cona mais fina que receba o meu dinheiro e não me traga problemas. Bebo o último e mando-o à puta que o pariu que paguei um copo não paguei ao padre.
Assim que entrei na sala dei logo conta que o quadro não estava no sitio, uma coisa daquele tamanho ocupa espaço mas para mim é o equivalente a toda a casa quase como entrar numa gruta e ali ficar a descobrir os seus segredos e agora sem poder conseguir percorrer as suas galerias e lá permanecer o tempo que me apetece sinto-me violado. Onde está o meu quadro azul? A Russa levou-o e diz que está bem guardado e sem males mas ao pé de mim não vai ficar porque me faz males à cabeça e aqui e toca-me no peito e na barriga e na cabeça, insisto que o quadro é meu não tinha ordem de levar o que é meu e levantamos a voz. Pela 1ª vez aquele som de caramelo parece-me queimado e fala na sua língua nativa durante muito tempo tudo e mais alguma coisa que não percebo nada mas parece ser muito ameaçador porque aperta os olhos claros até ficarem como duas fendas no rosto bolachudo muito encarnado e o pano que tem na mão vai agitando na minha direcção com movimentos curtos mas semelhantes a um chicote. Quero o quadro azul já disse mesmo fazendo-me mal preciso desse mal em mim porque gosto de o sentir a magoar-me.
Não houve explicações nem despedidas nem choros. Um dia estava e a seguir não estava como se nunca estivesse estado. Ficou o quadro e as minhas lembranças muito nebulosas e revoltadas mais a Russa para me consolar com a sua garrafinha de poção mágica que no fim das contas só me atordoa. É isso, toda a vontade e todas as montanhas do mundo que tive dentro de mim mais as palavras que finalmente soube como dizer e não cheguei a dizer caíram para dentro de mim fazendo um peso maior que eu que não tenho força para acartar. Sem explicações agarrou nas suas coisinhas e foi-se não deixou um recado ou um perdão ou uns minutos de espera para nos olharmos de mãos dadas e assim ficarmos. Não houve uma última vez de sexo ou uma última vez de amor fundido que eu amo esta desgraçada que me trouxe uma tristeza tão grande para dentro do peito que nem sei o que é isto, deve ser tristeza ou amor como diz a Russa. Quero chorar mas não sei fazer e abro muito a boca e não sai som nenhum mas sei que se estragou qualquer coisa cá dentro do meu corpo.
Bebo mais um mesmo a arder-me tudo até ao ânus ou até à alma que nestes últimos tempos tenho alguma dificuldade em separar um do outro ou dizer onde começa um e termina o outro. Pensamentos de merda ou coisa nenhuma a partir de certa altura não me lembro de nada e até é bom. Mais um taberneiro nojento ou vais dizer essas coisas dignas de um ser humano preocupado com outro que não devo beber mais e que me faz mal ou que estou a dever-te dinheiro como essa freguesia a dever anos à cova que te bate as pedras todo o santo dia sem consumir um tusto, bebo mais um para me aliviar a subida e vou-me. Não sei para onde que quando chego os olhos afligem-se naqueles azuis que pintei ou na carne da miúda que dorme enrolada na minha cama e se escapa para o sofá mal entro, estará viva por dentro ou por fora ou serei eu que estou morto e a noite finalmente me chegou, perguntas de merda, vinho de merda, merda de vida.
Sempre soube mas talvez tivesse esquecido propositadamente porque tudo está perfeito até deixar de ser perfeito e ser catastrófico. Ou sempre soube e arranjei um botão para desligar essa parte feia que não tinha acção nenhuma no que está perfeito e belo voltando a premi-lo se houvesse necessidade de haver o feio. A merda toda é que não é uma questão de estética ou de beleza ou até de esquecimento foi estupidez da minha parte acreditar que alguém viciado pudesse simplesmente deixar de o ser. Sinto-me enganado porque comprei um bilhete para um filme de 5ª categoria em que eu próprio fui parte do enredo como o mais gozado da plateia inteira. A russa avisou-me e eu caguei. Agora não posso dizer que não pois eu próprio a vi com a agulha espetada. Um rolo de carne humana esquecido entre a sanita e a banheira. A russa levou-me para a sala e deu-me um copinho da sua bebida mágica mas não há truques para me fechar os olhos ao que vi nem o botão que eu tinha funciona nem mesmo este céu de Agosto está de acordo com a vida real. Olho o quadro encostado à parede e não percebo nada.
Abres a janela abres a camisa abres o teu corpo. Caminhar igual em pés nus aprendi contigo o que me faz esquecer ladeira abaixo o encosto da taberna não me apetecem copos e não me apetecem sapatos e também da conversa dos velhos não trago saudades da subida até casa. Recluso-me em ti e no teu corpo, abotoo-me na tua camisa, voo na noite de intenso azul achando que é a última, janelas abertas ou o quadro a beber pinceladas e antes que chegue silencío nos teus olhos o que não preciso de dizer tu pões dois dedos na minha boca a mandar calar as palavras que encosto aos dentes.
Gosto de sentir a tua garganta latejar como se fosse perigoso teres-me por detrás, a minha palma da mão a sentir um burburinho a descer e a subir como se não soubesses se queres mais ou pedes para ser agora, toco-te e agitas-te como um choque que me passa uma convulsão que nos electrifica, não sei de mim nem de ti nestes instantes, perdemo-nos e logo a seguir achamo-nos num liquido saboroso que me recorda a tela, azuis e terra e nós para sempre imortais num acto animal de cópula necessária porque é um alimento como o que levamos à boca. Abro a janela e a noite ainda é profunda.
Não consigo deixar de olhar esta tela e já nem és tu que és o objecto maior nela, é o todo das cores que a começaram a fazer viver como um todo que somos. Sinto-me vivo pelas cores que mancho em cada pincelada que dou, em cada tinta que preparo. De repente voltei a ser rapaz outra vez. Mas tão novo como quando andei em Belas-Artes e tinha o fascínio de aprender. Uma fome continuada que não dava sossego e chegava a ser incomodativa pela obsessão com que arrastava os demais ao meu redor. Do que me fui lembrar. Do que me fui lembrar voltar a sentir e viver e gostar e tal como os copos que viciosamente chupo no tasco quero mais e não quero voltar a perder, tudo o que preciso está nesta tela e nestes tubos entortados de tanto serem espremidos para me fazerem voltar a ter dor e prazer. Sem separação de dias e noites.
Terminei o teu esboço e nem precisei que voltasses àquela posição estática, o momento ficou para todo o sempre gravado na minha memória e na minha orelha e em toda a minha pele. Só de me lembrar sinto uma electricidade a correr-me pelas costas. Falta agora o trabalho grande, colorir, quero pintar-te a azul grandes tons de azul e os telhados a uma aguada terrosa ao fundo, depois hei-de mandar emoldurar e pendurar aqui na sala onde os tectos possam assistir a este bocado de momento pelo resto das suas vidas e das nossas. Ou pelo resto da minha, é tudo uma questão de conceito ou da chegada da noite não importa, o que interessa és tu teres chegado à minha nesta altura não noutra e se foi agora é porque é agora que sei dizer o que nunca quis. Não vejo um azul sinto tonalidades que me vibram e sinto-me vivo.
Olho para ela enquanto ela olha não sei para onde sentada no parapeito da janela como se o cavalgasse, uma perna para dentro e a outra para lá e as costas ligeiramente amarrecadas, traço no papel as linhas do contorno do seu corpo esguio, mais distantes os telhados avistados e mais perto o sofá, a mesinha. Estás imóvel como se soubesses que te desenho e balouças a perna a dar sinal de vida, os riscos saiem-me como há muito imagino, os trabalhos que tenho feito afinal não me atrofiaram a mão, não te mexas por favor nem um milímetro é só o que peço mas não lhe digo nada se lhe disser é capaz de saltar dali ou voar só para me contrariar ou porque não quer sei lá, eu quero é marcar-te no papel, tenho a certeza que se te desenhar não foges e esta é a beleza do instante, a inquietação. Olhas para mim e sorris não sei porquê, páro a mão pouso o lápis fico com medo. Vens até mim, abraças-me e dizes baixinho ao meu ouvido diz-me que não me mandas embora e eu não vou embora nunca mais.
Quase meio Ano sem aparecer e é isto, este silêncio que me obriga a um silêncio de frade onde os meus tectos de florões centenários parecem agradar-se sem nada mais importar e tudo pára, a janela aberta é outro mundo descoberto e das perguntas que tenho adio porque tenho medo que ela se vá de novo, se faça ar azul e se ale desaparecendo como se eu fosse um louco cheio de interrogações para um esboço desenhado a quem dei vida e mais ninguém o veja para além de mim. A russa diz que ela não pode cá ficar que me vai roubar mas a verdade é que ela já me levou tudo o que era de valor, o resto são restos, coisas que fui amontoando dentro de casa para fingir que sou normal. Afinal nunca tive o prazer nem a vontade de dizer as palavras até aquele dia e essa dor misturada com a tinta foi única, uma sensação que não esqueci e que se instalou por dentro como uma doença que não consigo dizer, nem mesmo aos murmúrios da noite a chegar.
Não me adianta não respirar, do outro lado da porta a vizinha bate leve, raspa, sinto-lhe o corpo encostado à madeira e a mim apetece-me escancarar tudo para que a gorda se despenque para este lado pois não desiste e insiste não há paz para os vivos quanto mais para os que se querem passar por mortos, faço-lhe a vontade e abro. Mas a gorda não cai é a puta de um chinelo só sem chinelos, calçada de ténis e de cabelo a tapar-lhe toda a cabeça, as orelhas, a testa e um pedaço do pescoço nem sei que diga agora que está aqui deve ter sede e de repente o azul que vejo em todo o lado desapareceu. Entra e ela entra devagar a roçar a moldura da porta sem tirar os olhos de mim e eu dos dela não sei se a hei-de agarrar ou ir buscar um copo de água ou fazer-lhe perguntas. Sento-me no banco do estirador e ela no sofá e depois levanta-se como se o lugar estivesse ocupado vem até mim e põe a mão sobre a folha branca, mexe nos lápis, nos pincéis, vai até à janela e abre-a, debruça-se encosta-se no parapeito a ver o rio ao longe e o outro lado, os candeeiros perfilados, as caravelas recortadas com o corvo símbolo da cidade. A noite está calma e sem vento, ponho-me ao seu lado.
Talvez se esta morrinha não caísse tão devagarinho a lustrar a calçada eu não me lembrasse dela, fechava a janela por causa do calor e debruçava a cabeça sobre o estirador nos papéis que estão em branco à espera de um traço um esboço um projecto que apareça à frente da vista ou um clarão que apague a mancha de azul que inunda todas as outras imagens que mal tentam aparecer aguam-se em manchas lentas até se dissolverem em castanhos sépias encardidos. Mas não para. Nem chove mais nem para. Uma merda. Fica neste constante respingar suspenso como se a qualquer momento me deixasse adivinhar mesmo no momento em que me preparo para fechar as janelas que há-de aparecer a arrastar o chinelo mesmo nesse momento a qualquer momento. E não passo disto. O momento. O branco. A diluição. O encardido. Agora vou mesmo fechar a janela não quero saber mais de momento nenhum quero chova muito ou pare de vez. Só me faltava baterem-me agora à porta, a vizinha a uma hora destas não há paciência, faço-me de morto ou morro de vez.
Encomendas para este dia que é um dia que nada me diz, cartaz para a criança, fiz o que tinha a fazer, pai que sou sem nunca ter sido, engraçado como guardei a questão assim como arrumei o trabalho encomendado, é para fazer faz-se, dá cá toma lá, recebo o meu não me voltem a pedir coisas destas que eu não tenho perfil para coisas de criança, embuchei a mulher em terras de África sem ter sido consultado, uma paternidade pelas costas e no final tudo morto sou um pai igual ao meu não quis ser o que sou e nem pedi para ser, é o cartaz, publicidades a crianças felizes por um dia mas só mesmo neste em que por encomenda se disfarça a noite, recebo o meu e não quero pensar mais em filhos ou em pais e especialmente em mim que não sou filho de um que não me quis.
Depois de ter entregue os trabalhos resolvi andar pela cidade, desta vez não trouxe o carro é uma estucha ter de arranjar lugar para estacionar e dar dinheiro para parquímetros mais vale dar a moeda ao elefante do jardim do zoológico. Mas esta Capital está velha, decadente, cada vez está mais cheia de animais e eu que pouco saio de casa e do meu bairro da minha rua não tenho paciência para estas incursões e logo me arrependi da decisão, os barulhos confundem-me e os sinais não dão tempo para atravessar e as pessoas são mal educadas, dão encontrões, cospem no chão e a quantidade de pedintes e dos que arrastam roupas e carrinhos assustou-me pela violência do número crescente desde a última vez que me tinha afoitado em semelhante aventura. Quando iniciei a subida na minha calçada e me senti de novo seguro como em terra firme, o rio ao longe avistado brilhante é que tive a certeza do forte em que me resguardava. Pensei na miúda de um chinelo sozinha, se estivesse comigo eu podía defendê-la daquela selvajaria toda e mostrar-lhe da minha janela a noite a chegar vagarosamente sem ruídos e sem medos.
Acordo com o barulho das chaves a tilintar na mão da russa à porta do quarto e a voz de caramelo a dizer-me para ir tomar banho que homem grande não pode ficar na cama até à noite, tapo a cabeça, odeio esta mulher que acerta nas coisas e desejo ardentemente estar a sonhar, não sentir o cheiro de comida e que tudo desapareça, agarro o meu membro entre pernas e apetece-me ter uma mulher, apenas o acto em si, nada de outras coisas ou outros pensamentos complicados com frases à mistura em que se fazem perguntas e esperam-se respostas, só me quero vir e espero que a russa não volte a entrar no quarto por amor de deus porque estou quase, quase. Sinto a mão a latejar ou o pénis ou a testa ou o pescoço e a voz da russa lá para dentro mas não sou capaz de responder, deixa-me daqui a um bocadinho já te digo tudo mas não agora miséria, tens de perceber que há momentos que são só meus e acabaste de me entrar no sono, no quarto, nos lençóis, na pele, é a tua voz que se infiltra, dá-me um tempo por favor. Aparece à porta do quarto com uma chávena de café e pergunta-se se estou decente, não te respondo russa mas obrigado.
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