ANTES QUE A NOITE CHEGUE

(SOLILÓQUIOS E METAMORFOSES)
Bebo mais um mesmo a arder-me tudo até ao ânus ou até à alma que nestes últimos tempos tenho alguma dificuldade em separar um do outro ou dizer onde começa um e termina o outro. Pensamentos de merda ou coisa nenhuma a partir de certa altura não me lembro de nada e até é bom. Mais um taberneiro nojento ou vais dizer essas coisas dignas de um ser humano preocupado com outro que não devo beber mais e que me faz mal ou que estou a dever-te dinheiro como essa freguesia a dever anos à cova que te bate as pedras todo o santo dia sem consumir um tusto, bebo mais um para me aliviar a subida e vou-me. Não sei para onde que quando chego os olhos afligem-se naqueles azuis que pintei ou na carne da miúda que dorme enrolada na minha cama e se escapa para o sofá mal entro, estará viva por dentro ou por fora ou serei eu que estou morto e a noite finalmente me chegou, perguntas de merda, vinho de merda, merda de vida.

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